Harry Potter and the Methods Of Rationality (HPMOR) – Pre-Review

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Eu amo livros, mas é bem raro eu escrever sobre eles. Uma vez ou outra, mas bem poucas vezes mesmo, eu acabo escrevendo uma review bem pequena no Goodreads, mas quase nunca isso acontece.

Mas, depois de descobrir (por acaso) o livro do título desse post, tive que criar uma exceção.

Resumidamente, HPMOR é uma história (romance, posso dizer assim?) que utiliza os elementos, personagens e conceitos do enorme mundo de Harry Potter para criar uma nova plot. Essa nova história possui várias coisas em comum com a original da J. K. Rowling, você vai ler sobre Voldemort, sobre vários feitiços já conhecidos na trama, as mesmas lojas de magia, enfim; mas a premissa é a seguinte: Harry Potter (lá pros seus 11 anos, antes de entrar em Hogwarts) é um cara intelectual, me atrevo a dizer geek inclusive, que estudou e leu bastante livros sobre ciência e afins. É o nerd dos tempos modernos, for that matter; bem diferente do Harry da história original. Ele é mais intelectual do que a Hermione que você conhece!

Bem, a palavra certa é racionalista, inclusive é daí que vem o título do livro.

E enfim, só com essa premissa, o principal autor do livro, o Eliezer Yudkowsky, conseguiu desenvolver uma história fantástica. Conseguiu prender a minha atenção depois que eu li menos de 1% do livro (geralmente uma boa convenção é 3–6%). Isso é muito pouco, e é assim que a gente é capaz de identificar livros [muito] bons [1]. Convenhamos, se você tem que chegar em 10% do livro para que ele fique interessante, então provavelmente é melhor você procurar outro livro para ler.

Dito isso, eu gostaria de eliminar qualquer tipo de bias: não, eu não sou fã de Harry Potter, em geral — seria muito fácil recomendar um livro da série se eu fosse fã da mesma, certo? Eu gostei muito dos 7 livros, me amarrei na história, mas não a ponto de me tornar um fã. O que é ser fã de um livro? Bem, se você procura por fan-fictions ativamente e/ou participa de uma comunidade on-line do livro (como um subreddit ou grupo no Facebook) mesmo depois de ter lido todos os livros da série, então provavelmente você é um fã da mesma.

Só para dizer mais algumas coisas e relatar alguns fatos relacionados (ou não):

  • o autor do livro é um cara bastante inteligente. Estuda Inteligência Artificial sei lá onde e parece que ele é um drop out do ensino médio, então ele aprendeu AI sozinho. Um autodidata respeitável, no mínimo. E sim, saber essa informação ajuda a entender porque o livro fica interessante e num tom bem peculiar.
  • esse mesmo autor mantém um blog/wiki/site/portal [2] chamado lesswrong, cujo propósito é discutir sobre métodos de racionalidade e algo do tipo. Coincidentemente, faz uns dois dias alguém no fórum do Arch postou um link [3] pra lá.
  • outro motivo para eu gostar desse livro: eu me identifico 110% com o personagem principal (tá, isso sim é um bias [4]). Eu já fui extremamente pedante (agora sou só um pouquinho), ou racionalista, se preferir usar a terminologia do livro. E cara[mba], o Harry dessa história me lembra muito eu mesmo faz uns anos [atrás]. Acho que também me identifiquei bastante com o personagem de [1]. Talvez o que constitua um bom livro, afinal, seja o quanto você consegue (i) se identificar ou (ii) identificar alguém que você conhece º no enredo do mesmo. Já parou para pensar nisso?
  • no momento desse post, li exatamente 3% do livro (ele é bem grandinho! Umas 600 mil palavras, pelo que vi), mas já aconteceu tanta coisa na história que nem parece que li isso “tudo”. Nesse ponto, gostaria de dizer que o autor sabe usar muito bem do elemento ‘humor’.
  • e de verdade acho que não foi só o autor que escreveu o livro, parece que ele foi meio colaborativo também, ou algo assim…[citation needed]
  • chega. Quer mais? Subreddit. E baixe o livro em mobi ou epub no site.

Esqueci de dizer: consegui reencontrar a fonte da serendipidade. Só descobri esse livro por causa desse tweet.

TL;DR

cognitive biases, psicologia, humor, muita verossimilhança, racionalidade, física, e uma história [alternativa] muito interessante. Super recomendado. Ah, e esqueci de dizer: imprevisível também. Isso faz toda a diferença em um livro.

Footnotes

  • [1]: O último livro que me lembro que também me prendeu em uns 2% de leitura foi o Ready Player One, do Ernest Cline. Show de bola também, e super recomendado! Ah, esse livro merecia um post à parte…pena que não escrevi um na época que o li.
  • [2]: isso não é algo tão raro assim. Exemplos que me vêm à mente: c2wiki, o site do Alex Schroeder (a random emacs guy), skilledtests (acabei de resgatar esse link das cinzas, minhas habilidades com search engines estão boas! Palavra-chave: identi.ca wiki). Esse tipo de site é uma coisa que eu acho bem maneira! É basicamente uma espécie de personal wiki colaborativa. Se é que isso faz sentido. Nah, eu já tentei fazer isso uma vez pra mim, mas não deu muito certo.
  • [3]: até que ponto ter “paciência” com quem pergunta questões em fóruns sem demonstrar muito esforço de pesquisa? É mais ou menos isso que esse artigo discute e o contexto no qual ele foi postado. Isso merece suas discussões em outro lugar. Mas eu sempre gosto de linkar pra essas duas páginas: How to ask questions the smart way e por favor não seja um help vampire (plus).
  • [4]: diria que um confirmation bias. São muitos biases(!!!) Aiai, psicologia humana! Por sinal, esse livro descreve, ao longo da história, uma porção de biases cognitivos. Muito bom para aprender sobre psicologia! Eu amo psicologia (especialmente psicologia cognitiva), e acho que já falei em algum lugar que se eu não fizesse computação, existiria uma boa probabilidade de que eu tivesse cursado psicologia. Por sinal, leia esse livro. Ele ensina muita coisa legal sobre psicologia.
  • [0]: esse post mostra, acidentalmente, que é muito mais gratificante “se aliviar” postando uma porção de links em um post de blog do que tentando criar enormes listas ou diretórios de links [organizados] de assuntos relacionados. Eu demorei dois anos para descobrir/concluir isso, mas acho que aprendi a lição. Aliviar a tensão, como dizem. Bem, outros dizem o contrário.
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Harry Potter and the Methods Of Rationality (HPMOR) – Pre-Review

Cálculo @ UFRJ: Sugestão de Referências

Update (10/06/2014): OBS.: Esse post foi ligeiramente editado desde a sua criação, a fim de se tornar uma referência mais objetiva (e menos subjetiva). Note que esse não é o objetivo desse espaço, dado que é um blog pessoal, mas achei essa decisão pertinente, considerando que esse é um dos posts daqui que mais são encontrados por mecanismos de busca.

Tendo terminado todos os meus Cálculos, aqui deixo um index de links e de material (fontes) de estudo para servir como um guia a quem o ler. Na verdade, esse post é mais como um mini-diário do meu estudo de Cálculo durante os dois últimos anos; só que eu darei ênfase aos métodos / fontes que eu achei mais úteis, e deixarei um alerta aos que eu achei menos relevantes.

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Cálculo @ UFRJ: Sugestão de Referências