Community Ethos

I don’t know how to name this post. These are a couple of resources I think every user that participates in online communities should know about — or, at least, become aware of:

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Community Ethos

Metapost #3: Kernel Panic, uma história de amor, parte ????

É, meus amigos, a minha (longa) jornada de exploração do mundo Linux Desktop está praticamente chegando ao fim. Pessoalmente, já explorei tudo o que eu queria. Foram 2 longos anos, e acredito que eu tenha atingido um nível de maturidade razoavelmente bom, a ponto de recomendar a outras pessoas que se interessam por TI fazerem o mesmo que eu fiz. Felizmente, várias (mas, infelizmente, não todas) das minhas etapas ao longo dessa jornada estão registradas (às vezes, documentadas também!) nesse blog.

[OBS.: estou escrevendo esse post sem absolutamente nenhum link e nenhum tipo de marcação (negrito, etc), isso é proposital]

O desafio final, necessário para o meu diploma autodidata, foi adiado o máximo possível. Sim, ele é exatamente isso que você está pensando: testar o Gentoo. Hoje o meu Grub possui entradas tanto do Arch quanto do Gentoo. Vou adiantar uma coisa: a entrada do Gentoo é temporária. Assim que eu terminar de explorar todas as features que parecerem interessantes de uma distro baseada em código-fonte, do portage, do eix, equery, masks, slots, OpenRC, e mais todas as características peculiares do Gentoo, vou me desfazer dele.

Vale a pena dedicar pelo menos um parágrafo para falar sobre o porquê disso. Vai ser só um, prometo. Desde o meu primeiro dia com Linux (com nada menos que…Ubuntu! É, já falei disso aqui várias vezes), eu percebi que iria gostar muito daquilo. Daquilo o quê? Tanto do design da coisa, quanto das comunidades, de outras pessoas que também eram entusiastas por aquele design. Assim, tentei me envolver com a comunidade do Ubuntu. Cadastrei-me no Launchpad, no fórum Ubuntu-BR, no fórum oficial do Ubuntu (em inglês), tentei acessar o IRC do #ubuntu, ixi, foram várias coisas desse tipo. Fiquei um tempo fazendo isso. Mas não me senti 100% à vontade. Por quê? Porque parecia algo não muito natural. Não era algo com que eu chegasse um fim de semana e estivesse super animado e entusiasmado para postar no fórum do Ubuntu, não mesmo.

Ops, cá estou eu quebrando minha promressa e criando outro parágrafo…daí, eu decidi partir para outra, fui para o mundo do KDE, tentei fazer parte da comunidade deles, etc, etc, ficou esse ciclo, e depois testei uma distro atrás da outra, valendo destacar que também tentei participar da comunidade do openSUSE e do Fedora.

Só que existia um problema, nada disso parecia certo, nada disso parecia feliz, natural. Parecia só uma modinha. Ah, um usuário de Linux novo, se juntar com a comunidade. Tem um monte de wannabes por aí, colocando em seus blogs pessoais vários símbolos de coisas relacionadas a open source e distros de Linux (ops…eu sou um deles???). Sabe qual é o problema? O problema é quando você inclui essas coisas sem sequer saber sobre o significado delas direito. Quando você tem uma pressão interna para colocar um símbolo do (digamos) Ubuntu relacionado a você, mas você mal sabe o que é o Ubuntu, com a maior parte da sua experiência limitando-se apenas usar o sistema.

Uma das coisas que eu aprendi, um dos significados mais importantes e mais (permita-me dizer) belos sobre esse mundo, é o significado de: COMUNIDADES. Comunidades são uma coisa bastante complexa mas, uma vez que você entende o propósito, a motivação, e o objetivo por trás de uma, tudo se torna infinitamente mais fácil, e você passa automaticamente a entender sobre todas as comunidades. Em outras palavras: conheça bem uma comunidade, e você conhecerá todas!

A questão foi: depois de passar por todas aquelas comunidades de distros que citei, e ter detestado isso tudo, de maneira frustrada, chegou um certo dia que eu conheci a comunidade certa PARA MIM. É óbvio que eu estou falando da comunidade do Arch Linux. Se a comunidade do Arch é perfeita? Para mim, é! Mas, note que a resposta para “X é perfeito?” é relativa, e depende do referencial. Perfeita para quem? Continuando com esse exemplo, para a maior parte das pessoas que eu conheço, o Arch é uma das piores comunidades que você tem para participar. Você tem que correr atrás para interagir com os outros membros (isto é, ninguém vai fazer nada por você se você próprio não se esforçar), ela é fortemente baseada em meritocracia (quanto mais você colaborar, mais os outros membros vão reconhecer o seu valor dentro da comunidade. Nem todas são assim. Em alguns lugares, o mais rico é o mais foda. Ou, quem tem as melhores redes de contatos. Ou, quem dedica mais tempo (não necessariamente mais contribuições) para a comunidade. Cada comunidade tem a sua própria forma de atribuir valores a si mesma!), em manter as coisas simples e evitar complexidades e firulas desnecessárias (o que, por exemplo, muitas vezes acaba com o conceito de “ser fácil de usar de primeira”, o que é claramente ruim para muita gente).

Ah, enfim, quanto uma comunidade é bem definida, os seus valores são bem definidos. Para o Arch, existe o “Arch Way”, para o Ubuntu, “Ubuntu code of conduct”, para o Fedora, “core values”. Para o seu grupo de amigos (que também forma uma comunidade!), talvez preferir pizza de Pepperonni (escrevi certo?) e torcer para o time XXX de futebol (sorry, me recuso a citar qualquer time de futebol brasileiro nesse espaço) sejam os valores da sua comunidade e, em princípio, não há problema nenhum nisso!

Muito bem, vamos voltar a ter foco no tema do post (se é que ele tem um). Eu ia escrever 3 posts separados, um falando sobre comunidades, um falando sobre o Arch e sobre o Gentoo, e o outro falando sobre um pouco de tudo, mas acabou que ficou tudo misturado aqui.

Sobre comunidades, uma das coisas que eu considero um MUST DO para qualquer pessoa, é ler o sensacional “The art of community”, do Jono Bacon (eu disse que não vou indicar links, faça seu dever de casa e pesquise, caso se interesse). Esse livro está disponível sob a Creative Commons, então você pode baixá-lo gratuitamente. Jono Bacon é o atual Community Manager do Ubuntu, ele é responsável por gerenciar uma boa parte da comunidade do Ubuntu, e de assegurar que os interesses da Canonical estejam mais ou menos congruentes aos da comunidade do Ubuntu. Ele também é um dos atuais hosts do Bad Voltage, um podcast que gosto bastante.

Enfim, o negócio desse livro é que ele é uma lição de política, de comunidades, de interação, de gestão, de (…), AH, de tudo. Um livro perfeito para se ler em um ano de eleições, mostra o quão falha é a gestão do nosso Brasil. E também o quanto algumas empresas desse mesmo país estão fadadas ao fracasso. Naturalmente, essas são conclusões que uma leitura atenta lhe permite tirar.

Depois que li esse livro e refleti sobre a minha tentativa por procurar a “comunidade perfeita”, percebi que tudo isso se relacionava e fazia completo sentido. Encontrar uma comunidade da qual você se sinta parte é uma sensação muito boa!

Agora, já que eu estou falando de fazer parte, vale dizer outra coisa. O que é preciso para fazer parte de uma comunidade? Há algumas que possuem os seus métodos oficiais. “Fedora Ambassor” (acho que se escreve assim) é um exemplo de badge oficial. Só vou dizer uma coisa sobre isso: existe uma vibe muito grande de pseudocults e de pseudo community members nessa área (nessa = não me refiro ao Fedora, não! Me refiro aos badges e tudo o mais). Pessoas que só querem um badge de certa comunidade, mas que não sabem nem um pouco sobre a mesma, mas só querem participar da organização para se promoverem, e ganharem algum nome, aproveitando-se da reputação da organização. Bom, felizmente me orgulho de dizer que na comunidade do Arch não existe a possibilidade disso acontecer, simplesmente porque não há badges (bem, só em torno de umas 100 pessoas possuem esses badges, então na prática é como se não houvesse; essas pessoas são os usuários confiáveis (“trusted users”) e mais outros, que contribuem DIRETAMENTE para a manutenção da distro): a forma de você se envolver com a comunidade é se envolvendo, e pronto. Não existe nenhum selo para ser exibido. A vantagem disso é que pseudocults usualmente desistem fácil de comunidades desse jeito: ora bolas, o objetivo é acumular badges, e não participar da comunidade em si. Resumindo: participa quem quer, quando quer, PORQUE quer. Quer o quê? Ver a comunidade crescer, evoluir, e se interagir cada vez mais! Sem selos.

O parágrafo anterior foi fortemente baseado no livro do Bacon, mas OK. Um resumo mal feito, verdade. Quando um livro é sensacional, qualquer resumo dele é mal feito, não tem como. Nada substitui o conteúdo original do livro.

OK, se você ainda está lendo isso, ou você está curioso para ver onde esse post vai dar, ou talvez você tenha um espírito puro em relação a comunidades e não seja pseudocult, portanto. Talvez você ainda esteja procurando a sua comunidade perfeita. Enfim, você é especial, porque a maioria das pessoas já ficam de saco cheio logo nos primeiros parágrafos desse texto xDD, aprendi a fazer isso com a comunidade do Arch, viu como aprendemos coisas?

Mas, voltando a falar sério: essa é a minha terceira versão de um texto que eu sempre quis escrever, de algo que eu sempre quis expressar. As duas primeiras versões nunca foram publicadas, estão bagunçadas demais. Essa também está, mas está bem menos, acredite. E, mesmo que eu escrevesse 10 vezes, continuaria assim, sabe por quê? Porque quando tentamos falar de modo perfeito de algo no qual acreditamos e de que somos entusiasmados, não tem como não misturar sentimentos e pensamentos pessoais com o fluxo do texto. Isso só mostra que esse tema é algo realmente bastante especial para você.

Mas, muito bem, essa parte foi um pouco (muito!?) filosófica. Vou escrever uma outra parte, comparando o Gentoo ao Arch e, nessa, prometo que vou ser mais objetivo. Além disso, existe uma possibilidade de que eu poste uma continuação para esse post, com mais filosofia. Se você tiver curiosidade em ver os dois primeiros rascunhos para esse post (uma bagunça…), deixe-me saber disso.

Até a próxima. E, vou reforçar: o meu conteúdo sobre Linux está em breve chegando ao fim. Quer dizer, não sobre Linux, mas sobre Linux Desktop. Realmente foi uma jornada bastante legal, mas eu vou me mover para outras áreas agora. Qual? Muito possivelmente: ou redes/servidores/essas coisas, ou teoria de linguagens de programação e de compiladores. Existem outras possibilidades, mas essas são as mais prováveis. E, é claro, sempre tem um pedaço da maratona de programação, mas sobre isso você sabe que eu escrevo em outro lugar.

Metapost #3: Kernel Panic, uma história de amor, parte ????