Impressões de migração do Windows para o Elementary OS (não-superusuários)

O título não é lá essas coisas, mas a ideia é bastante simples: decidi tentar migrar o workflow de computação dos meus pais para o Linux. Eles tipicamente utilizam Windows mas, com a exceção de um ou dois programas, todos os outros estão também disponíveis para o Linux.

Na primeira vez que tentei fazer isso, em meados de 2012 ou 2013, foi um fracasso. Em primeiro lugar, eu estava aprendendo sobre Linux e, em particular, sobre a enorme diversidade de distros que estavam disponíveis na época. Acabei optando pelo Ubuntu (…12.04 ou 12.10). Só que foi um desastre. Eu tinha o Ubuntu instalado no meu próprio Desktop, com a interface do Gnome 2 (heck, eu sequer sabia o nome da interface). Quando instalei o Ubuntu no PC dos meus pais, do nada apareceu outra interface. Depois eu descobriria que a interface em questão era o Unity, que eu (e eles) detestaram, mas eu fiquei bastante perdido para configurá-lo com o Gnome 2, com o qual eu estava acostumado.

Alguns programas eram esquisitos (para eles) — por exemplo, evolution como leitor de emails em vez do thunderbird / outlook. O dock na lateral esquerda também não era intuitivo. Nem mesmo o botão de desligar…enfim, esse setup chegou a durar algumas semanas, mas não deu certo, e acabaram voltando para o Windows. Enquanto isso, eu começaria a minha quest (parte da qual está documentada nesse blog) de testar dúzias de distros diferentes e formar novas opiniões.

Alguns anos depois, agora em 2017, decidi fazer uma nova tentativa. Há cerca de dois meses, instalei o Elementary OS e deletei o Windows (10) do PC deles (yeah, nada de dual boot, não dá pra fazer transformação de mentirinha: ou vai de uma vez só, ou não vai).

Algumas razões para escolher o Elementary OS em vez de zilhões de outras distros incluem:

  • não é o Ubuntu (yaaaaay!)
  • é beginner-friendly e user-friendly
  • o foco da distro está em usabilidade e design, e não em configurações ou linha de comando ou…
  • utiliza um package manager bastante standard (o apt). Aqui existem vantagens e desvantagens mas, nesse contexto, isso é uma vantagem, principalmente pela quantidade de pacotes já disponíveis no ecossistema deb;
  • o seu desktop environment padrão é o pantheon, que é realmente excelente, e bastante simples e polido para usuários novatos.
  • o plank (que é o seu dock) também é bastante refinado — já foi bem ruinzinho, mas hoje em dia está ótimo.

Baseado nessa lista, outras distros promissoras nessa categoria incluem o Linux Mint, o Zorin OS e o PC-BSD. Por que não o Zorin OS? Porque ninguém usa essa joça. Se fosse pra ser indie, então eu instalaria o Gentoo ou o Arch e faria uma customização massiva para deixá-los user-friendly, então tchau tchau pro Zorin.

O PC-BSD não foi considerado porque ele não é Linux, é um mero spin-off do FreeBSD, e os caras renomearam o projeto recentemente para TrueOS, eu não estou interessado em projetos que estão mudando de nome e FreeBSD para Desktop não é lá grande coisa.

Dito isso, o Linux Mint poderia ser uma segunda opção. O motivo de ter optado pelo Elementary OS é porque eu perdi a confiança no projeto ao longo dos anos (Linux Mint já foi uma das minhas distros principais), por uma série de motivos que não valem a pena ser mencionados aqui; enquanto que a minha confiança no Elementary OS só veio aumentando (eu cheguei a conhecer um dos fundadores no SCALE14x, você percebe que os caras têm uma enorme paixão pelo que fazem, é fantástico).

Vale dizer que o Elementary OS não é lá grande coisa, ele possui uma porção de bugzinhos, que são fáceis de ser notados à medida que você usa o sistema, mas ele é razoavelmente estável, suficientemente usável. Por exemplo, o pantheon-files, que é seu file manager padrão, possui um bug ridículo na ação de renomear pastas, ela só funciona se você apertar ENTER (clicar com o mouse fora da área de escrita implica em retornar ao nome original). Eu optei por instalar o Nautilus, que inclusive possui integração com o Dropbox, o que é um bônus.

O Geary, que agora é chamado de Pantheon Mail, também é buguento. Se você adicionar uma conta de email dele mas depois se arrepender e quiser deletá-la, você…errr, simplesmente não pode fazer isso. (de forma user-friendly, ao menos). Bom, o Thunderbird está aí para essas horas sombrias.

Existem vários bugzinhos nesse estilo, coisas que são inconvenientes e que claramente não deveriam estar ali, mas que estão. Aparentemente a comunidade está ciente disso, ao menos em alguns deles, então é provável que eles sejam consertados na release 1.0 (a release atual é a 0.4).

Se você superar os bugzinhos e não surtar com isso, podemos ir para a segunda etapa. Alguns tweaks e atitudes que se provaram boas incluem:

  • unattended-upgrades, apt-cron: para manter o sistema atualizado automaticamente;
  • redshift para manter a saúde dos olhos (ninguém liga pra esse negócio de espectro vermelho e azul, mas as pessoas realmente deveriam se importar mais com isso, especialmente nesses tempos atuais em que o uso de dispositivos eletrônicos é massivo);
  • dropbox para backups (infelizmente nenhum cliente do google drive está disponível gratuitamente para Linux, até hoje), com integração com o Nautilus;
  • VMWare Player para manter um Windows “de emergência” para os programas que não estão disponíveis para Linux;
  • zramswap e diminuição do valor de swappiness do kernel para dar uma aliviada no disco rígido. O valor default é 60; eu diminuí para ~20–30. É uma faixa de valores razoável para um desktop com 4GB de RAM;
  • preload para carregar programas mais rapidamente na inicialização;
  • indicator de velocidade de rede no wingpanel;
  • VLC como reprodutor padrão de vídeos;
  • não instalar o vim. Ele insiste em ser o visualizador de arquivos padrão para um monte de formatos. Até mesmo o pacote vim-nox atrapalha.
  • desabilitar serviços desnecessários no systemd (systemctl list-unit-files; systemctl disable <unit>). Sim, a release atual do elementary OS usa o systemd.

Também convém instalar pacotes relacionados a NTFS e V-FAT, para pen-drives. Acho que um dos pacotes se chama dosfstools ou algo similar.

Tenho rodado esse setup há dois meses e ele tem se mostrado bem estável e razoável. Estou satisfeito. E, o melhor de tudo: a manutenção é mínima, não precisa de anti-vírus, e é rápido. Trava muito pouco, se comparado com o Windows 10. Todos os pacotes estão sendo gerenciados pelo apt: não há nenhum software instalado localmente, por fora. Isso diminui drasticamente qualquer necessidade de manutenção. Todos os scripts que estão rodando automaticamente (que não foram mencionados aqui) estão sendo gerenciados pelo systemd (timers!) e/ou pelo anacron.

Alguns projetos futuros incluem:

  • gerenciar e configurar o sistema com o saltstack;
  • minerar bitcoin;
  • tentar utilizar o wine em vez do VMWare para os programas que não estão disponíveis para Linux;
  • adicionar um firewall ecochato;
  • backups automáticos (btrfs snapshots? Periodic rsync?).
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Impressões de migração do Windows para o Elementary OS (não-superusuários)

[mini] Melhorando a renderização de fontes no Windows

Ah, sempre que eu logo no Windows acabo implicando com alguma coisa. A última da vez foi a renderização das fontes. A renderização de fontes no Linux é muito boa, chega aos pés (isso se não passar) da do Mac. Especialmente se você utilizar o infinality (upstream). Agora, a renderização do Windows é…feia. Quando você abre o seu browser  e vê aquela página cheia de Times New Roman para todo o lado…errrrgh. Não estamos mais no início dos anos 2000, algumas coisas podem melhorar.

Com um pouco de serendipidade (minha palavra predileta nos últimos tempos), encontrei o MacType. Esse é um projeto que promete melhorar a renderização das fontes no Windows (do 7 para cima, por favor). Não tem muito o que falar: instale, experimente e perceba a diferença!

Note que esse projeto é desenvolvido em japonês (bem, alguma língua oriental). Então, em algumas partes da instalação (e mesmo na pós-instalação), pode ser que você não veja caracteres, ou que veja caracteres em forma de quadrado. Nesse caso, procure a opção para trocar o idioma para inglês; depois disso, é super intuitivo.

Mais uma nota: você só precisa abrir e configurar o programa uma única vez. Existem várias opções para salvar as opções de renderização: você pode utilizar o registro do Windows (uma boa opção!) e um serviço do Windows (outra boa opção). Eu optei pela segunda, não me deu dor de cabeça.  Existe também a possibilidade de aplicar a renderização apenas para algumas janelas, acho, e também a de controlar as opções pelo system tray. Não há necessidade disso, convenhamos; ou você utiliza em todos os lugares, ou não utiliza: seja consistente. Note que se você escolher a opção de registro, a renderização só terá efeito após a reinicialização do computador.

Finalmente, uma mini review: achei a nova renderização muito boa. Dá até gosto de ficar lendo. Aproxima-se relativamente bem da qualidade de renderização do Linux (ou, do Mac, que é o que o nome do projeto sugere). Notei que o mactype está disponível no chocolatey (é uma pena que eu só tenha visto isso depois que o instalei manualmente), então, se quiser automatizar o processo:

 cinst mactype
[mini] Melhorando a renderização de fontes no Windows

Setups no Windows, nunca mais

Uma vez que você se acostuma com package managers no Linux, é bastante inconveniente voltar à vibe de ficar instalando programa por programa no Windows, clicando em ‘next’ o tempo todo.

Para resolver isso foi criado o chocolatey, um repositório com vários pacotes para o Windows, descrevendo-o a grosso modo.

Eu o uso há bastante tempo, para falar a verdade. Só que agora me apareceu um novo problema: como reproduzir a mesma instalação em vários computadores diferentes, de uma vez só?

Motivado por isso, criei um repositório com o sugestivo nome de windows-setups-nevermore. As instruções estão no arquivo README. Resumidamente, basta você especificar todos os pacotes que você quer em um arquivo chamado packages.config, depois executar o arquivo setup.cmd. E voilà, em poucos minutos todos os seus programas serão automagicamente instalados, adicionados ao PATH e ao menu iniciar.

Naturalmente isso se limita, a priori, somente aos pacotes na galeria/catálogo do chocolatey. Se o pacote que você quiser não estiver lá, você terá que adicioná-lo sozinho, ou instalá-lo manualmente, o que for preferível. Além do mais, só estão lá os programas cujas licenças admitem que eles sejam redistribuídos (você não vai encontrar o Microsoft Office lá, por exemplo).

Update (2014-07-07): esse método provavelmente não instala bloatware — por exemplo, as diversas barras de ferramentas ou outros plug-ins para seus web browsers. No entanto, a melhor forma de comprovar isso é ou analisando o código-fonte do pacote ou instalando-o.

Setups no Windows, nunca mais

Sugestão de guia de instalação do Windows 8[.1]

Overview

A versão developer preview do Windows 8.1 expirou em 16 de janeiro. Isso implica que o computador ficava reiniciando de duas em duas horas. A opção mais imediata poderia ser procurar algo que parasse esse comportamento, mas…vamos fazer as coisas direitinho. Decidi instalar o Windows 8 (sim, do 8.1 pro 8. Não faz tanta diferença assim, apesar do 8.1 ser ligeiramente melhor) no computador dos meus pais.

Em geral eu utilizo um processo bastante similar durante cada instalação, então vou aproveitar que terei que realizá-lo mais uma vez para documentá-lo aqui. Ademais, o objetivo é ter um Windows o mais clean e KISS possível (isso não é 100% verdadeiro. Na verdade, o objetivo é não introduzir bloat na história). Então, vamos lá:

Instalação

  • Grave a .iso do Windows 8 no seu USB Flash Drive (aka Pendrive). Se você ainda utiliza CDs ou DVDs, diga-me: qual é o seu problema?? Procurar “Windows 7 USB DVD Download Tool”
  • Boote pelo seu pendrive. Se a sua placa-mãe tem um bom design, você faz isso através de uma simples tecla (geralmente F2 ou F12, mas isso sempre varia. Padrões, para quê?). Procure algo como “boot menu”. Caso contrário, altere a ordem de Boot manualmente, através das configurações do chipset (BIOS).
  • Particione o HD. Eu gosto de deixar um espaço de 30 GB no final, caso eu resolva fazer um dual boot mais tarde. A seu gosto.
  • Durante a tela de instalação: não saia avançando que nem um louco. Procure por “personalizar”, evitando “configurações expressas” sempre que possível.
  • Modifique as suas configurações a gosto. Em particular, pode ser que convenha mudar as definições do Windows Update. No mínimo, deixe “atualizações mais importantes”.
  • (Opcional) Ative o Do Not Track do IE caso ele não esteja ativado por default. Na verdade, se você for desinstalar o IE mais tarde, essa etapa não é necessária.
  • Enviar informações à Microsoft: configure a seu gosto.
  • “Compartilhar informações com aplicativos”: desative TUDO. Principalmente a plataforma de localização.
  • Usar uma conta do Microsoft? Olha, eu sempre fiz isso. Mas eu nunca utilizei nenhum aplicativo da Modern UI. Então, sinceramente? Escolhi criar uma conta local. Note que se você decidir baixar algum aplicativo mais tarde, precisará de uma conta da Microsoft de qualquer modo. Pense nisso.

Pós-instalação

Nesse ponto o Windows está instalado. Agora vamos aos tweaks.

  • Remova TODOS os aplicativos da Modern UI. Todos. Exceto: música, fotos, vídeo e leitor. Nesse ponto só deve sobrar, além deles, a Loja e o Internet Explorer (bom, a área de trabalho também).
  • Abra o Internet Explorer e baixe ou o Chrome ou o Firefox. A gosto. Pode utilizar o IE da Modern UI mesmo. Pronto? Agora mude o seu navegador padrão.
  • Agora, eu gosto de me livrar (pelo menos ocultar) da Modern UI. Utilize um desses dois programas, ou outro que preferir: Classic Shell ou Start Menu 8.
  • Se durante qualquer wizard / setup a janela se mover para fora do display visível, você pode apertar Alt + Space e depois selecionar a opção de movê-la + as teclas direcionais para resolver o seu problema.
  • Depois, vamos baixar alguns softwares para uso genérico. Nesse ponto, pode ser interessante instalar o AdBlock plus e/ou os seus complementos favoritos para seu browser para evitar algumas inconveniências. Eis a minha lista de software:
  • Avast (anti-vírus) (opcional). A menos que você seja um usuário experiente e saiba o que está acessando.
  • CCleaner (registro, startup, etc). Alternativamente, você pode querer utilizar o msconfig.
  • Drivers! Impressora, placa de vídeo, etc
  • Flash (opcional)
  • GIMP (edição de imagens)
  • IrFanView + plug-ins + idioma (imagens)
  • Java (opcional)
  • LibreOffice (pacote office)
  • Notepad 2
  • Notepad++
  • PDF X-Change Viewer (PDF)
  • PeaZip (ZIP/RAR/etc) – melhor integrado ao Windows do que o 7-Zip
  • VLC (vídeos, música). Alternativa: BSPlayer
  • qBitTorrent (cliente de torrent)

Isso é o básico. Mais do que isso depende das necessidades de uso de cada um. No entanto, eis uma lista que pode ser útil:

  • Chocolatey / Npackd (espécie de gerenciador de pacotes para o Windows)
  • Clementine (biblioteca de músicas)
  • Comodo Firewall
  • Cygwin (ambiente UNIX no Windows)
  • DirectX
  • Dropbox ou Copy (cloud syncing service)
  • PowerISO / Daemon Tools (CD/DVD virtual)
  • Sandboxie (chroot like)
  • Skype / Raidcall
  • Thunderbird (cliente de e-mail)
  • VirtualBox (máquinas virtuais)

É provável que, nesse ponto, você não tenha prestado muita atenção e (por isso) tenha instalado alguma barra ou crapware durante a instalação dos outros programas. Agora vai lá e remove tudo o que não presta.

Pós-Pós-Instalação

  • Remova o Internet Explorer.
  • Desinstale componentes do Windows não necessários (“ativar ou desativar recursos do Windows”)
  • Desative os efeitos desnecessários da área de trabalho.
  • Instalar add-ons para o seu web browser.
  • Checar a lista de programas que iniciam com o Windows (pode ter um monte agora) ==> CCleaner ou msconfig

Pronto, isso resume o básico. Se você tiver um HD Externo, convém copiar os setups utilizados agora para poupar algum trabalho da próxima vez. Esse não é um guia de manutenção, então vou parar por aqui. Happy hacking!

Sugestão de guia de instalação do Windows 8[.1]

Journal #3: Triple booting, yay!

Esse post poderia muito bem não estar na série journal, mas como ele é mais um story telling, vamos lá.

Hoje acabei de configurar o meu sistema para triplobootar (se o leitor me permitir o neologismo).  Arch Linux, Windows 8 (Lenovo OEM) e Linux Mint 15 Cinnamon. Ah, a beleza do Arch Linux: você não precisa explicitar a versão dele, afinal, não existe muito o conceito de versão do Arch. Ele está sempre atualizado. Essa é a beleza de uma distribuição rolling release. E é isso — não apenas isso, OK — que me faz gostar do Arch.

Todos são 64 bits. Isso não seria nada de especial. Mas eu sempre instalei sistemas 32 bits. E digo: não existe nada de mal nisso. Com a PAE, certamente memória não é um problema. E não existem tantos aplicativos otimizados para 64 bit assim, pra dizer que algum desempenho é algo super vantajoso. Na verdade, eu sempre usei 32 bits mais porque eu só tinha 2GB de memória do que por outra coisa. Mas, mesmo que tivesse 8GB, eu não reinstalaria o meu sistema só para migrar para 64 bits. OK, chega de arquitetura.

Perceberam o vício de linguagem atual no parágrafo anterior? Não? Aplicativos. A modinha é essa. É tão moda que chamamos de aplicativos até mesmo as aplicações / os programas de desktop. Ó, mundo moderno.

O meu objetivo final é ter ambas a instalação do Arch e do Windows o mais KISS possível. Sem afetar o meu workflow e o meu desempenho, é claro. O leitor já cansou (e ainda vai cansar mais) de ler esse termo aqui. É um princípio que eu prezo muito, e que acho que facilita bastante as coisas. KISS não é falta de funcionalidades. KISS é ter somente as funcionalidades que você precisa, e não adicionar montes de features que (provavelmente) nunca serão usadas.

Eu estou pensando seriamente em deletar o LinuxMint para instalar o openSUSE. Sabe qual é o problema? Na verdade, isso não é um problema, é ambição, mas…uma vez usando o Arch, a sua mentalidade muda completamente. Pelo menos usando ele de verdade (acredite, esse post não é uma propaganda do Arch, outro dia eu faço isso :D). Você começa a querer tudo atualizado. Na última versão possível. E basta. Mesmo que você quase não use a aplicação, você quer ela. O último commit estável do kernel. O último patch do systemd. Não importa. E, coincidentemente, isso tem tudo a ver como o mundo caminha hoje. Tecnologicamente [e não tecnologicamente também]. É tudo muito rápido. Os prazos são rápidos. O tempo voa com a derivada da velocidade maior que zero. Cada vez maior. (A derivada, é claro. A velocidade aumentando já é implícito nessa frase. Para bom entendedor, eu não precisaria estar explicando isso =p)

Tudo está configurado em (U)EFI. Isso foi a maior chateação. Se fosse MBR, seria uma tarefa trivial pra mim. Talvez porque eu já cansei de instalar distros. Mas EFI é uma coisa realmente nova. É daquele tipo que você no começo teme fazer besteira no sistema. Mas, com o tempo, sente-se cada vez mais acostumado. Ou: se-estragar-agora-eu-sei-recuperar. O sentimento é similar ao instalar uma custom ROM, pela primeira vez, no Android.

O gerenciador é o GRUB. Eu ia usar o gummiboot, mas ele se recusou a instalar. E não havia realmente necessidade de fazer isso. Eu sei já usar o GRUB, e ele funcionou (e funciona bem até hoje). O gummiboot é mais simples que o GRUB, mas já que não é simples de instalar, então tchau (sério, pra esse caso isso é irrelevante. Por favor, não tenha a mesma mentalidade em outros casos. A pain da instalação muitas vezes compensa no final. Veja o Arch).

Sabe porque eu fiz triple booting? Porque eu queria usar o Arch. Eu descobri que ele é a distro que mais combina comigo (ou, melhor dizendo: a que mais serve para mim e com a qual eu mais me agrado ficar). Só isso. Não precisa ser a mesma coisa para você. Mas, eu sou uma pessoa inquieta no que diz respeito a testar novas features. Estou sempre instalando uma distro nova. Elementary OS, Fedora, openSUSE. Vale a pena. Sempre tem uma coisinha legal. E é uma forma de satisfazer a curiosidade…

Vamos tomar uma outra linha nesse post, agora. Num post anterior eu falei sobre design. Nesse post aqui. Agora estou aplicando parte do que eu falei lá. Mais especificamente, sobre a parte de ‘usar as aplicações para a forma para qual seus projetistas a projetaram para ser usadas’. Ou pelo menos quase isso. Eu vou seguir esse princípio ao extremo. Pelo menos durante umas semanas. Se eu não gostar, ou se não me for útil, obviamente, eu vou dar opt-out. Não há necessidade de criar uma regra e se obrigar a adaptar a ela se ela não te satisfaz ou se você não gosta dela. Por exemplo, o [princípio de] software livre está nas veias do Stallman. Isso É ele. É um princípio radical e incômodo para muita gente (talvez até mesmo para mim). É muito difícil utilizar única e exclusivamente software livre. Eu até queria fazer isso, mas pra minha realidade é impraticável. Mas pra ele faz todo o sentido. Essa é a ideia de um princípio seguido rigidamente.

Anyways. Agora estou postando isso aqui do Internet Explorer 10 do Windows 8 (não pretendo instalar o Firefox no Windows. Nem o Chrome. Nem o Opera. Mas isso não significa que eu esteja utilizando o IE de maneira pura. Continuo usando Adblock Plus [que eu nem sabia que existia para IE] e estou usando o startpage como search engine).. Curiosamente, já usei o Windows 8.1. Pra quem está falando de ficar nas últimas tecnologias sempre…a questão aqui é que isso não é tão útil pra mim, agora. Neste exato momento da minha linha do tempo, eu passo 95% do meu tempo no Linux. Então é bobagem perder tempo atualizando freneticamente outros OSs. Veja bem: atualizar os componentes do Windows continua sendo algo essencial (pelo menos até certo ponto). Mas não o Windows em si.

Isso também tem a ver com outra coisa. Eu passei os últimos meses mais configurando o meu sistema do que usando ele propriamente dito. Do que contribuindo para projetos de software livre. Do que passando o tempo em fóruns de discussão e em canais de IRC. Eu gosto dessas coisas. São old school, mas provocam menos ansiedade. É óbvio que o Facebook e as comunidades do Google+ são muito mais interativas do que esses primeiros canais de informação. Só que são interativas até demais. É de enlouquecer se você não impuser um limite a você mesmo. Notificações no web browser, no smartphone, a todo o momento. Isso é péssimo. Falo isso principalmente porque terminei de ler, há pouco tempo, o livro do Nicholas Carr. Esse livro é muito bom. E faz muito sentido nos dias de hoje. Pode acreditar. ‘Superresumidamente’, ele conta a história, com argumentos científicos e com várias citações de experimentos psicológicos e científicos de como a internet está (e vem, e continua) alterando o nosso cérebro e a nossa forma de pensar. Estamos entrando definitivamente num estado mental diferente. E bom, o que eu mais disser vai ser vago. O cara escreve de maneira espetacular (eu li a versão original, em inglês), eu não vou conseguir reproduzir essa teoria como ele. Então, se você gostou dessas palavras, recomendo a leitura. Eu por acaso tirei uns screenshots do livro. Seguem abaixo:

http://www.flickr.com/photos/thiagowfx/10321487466/

http://www.flickr.com/photos/thiagowfx/10321454254/

http://www.flickr.com/photos/thiagowfx/10321487686/

Planos futuros? Configurar o Arch do meu jeito e tentar documentar e juntar algumas partes importantes. Eu atualmente faço isso no meu github. Mas ainda há muitas coisas a serem feitas. E eu quero organizar isso de modo mais sistemático. Se tudo ficar bem legal, de repente eu faço uns screencasts sobre como configurar e gerenciar esses arquivos. Ou, até mesmo, sobre como utilizar essas aplicações também. Muita gente tem dificuldade nisso (bom, e também muita gente não liga pra isso. Mas, se você ainda está lendo até aqui, provavelmente liga).

Após usar Linux por (mais de ) um ano e meio, sinto uma necessidade natural de contribuir para algum projeto livre (ou de código aberto. Mas, de preferência, livre também). Com código, documentação, ou mesmo com ajuda a newbies (uma palavra carinhosa — ou não — para ‘iniciante’). Acho que essa ‘necessidade’ vem da gratidão pelo sistema, que muitos voluntários contribuíram para ele se tornar o que é hoje. Não apenas pela gratidão, mas também pelo contágio da dedicação e do nível de expertise desses caras (dessas também, existem ótimas programadoras por aí =P) e, acima de tudo, pela admiração de alguns [projetos e desenvolvedores]. Bom. As coisas vão caminhando com calma, certo? Mas não com tanta calma.

Obrigado por ler.

Journal #3: Triple booting, yay!

Removendo {crap,bloat}ware de um Windows OEM

Como todo post do meu blog (eu adoro esse hábito, se o leitor ainda não se acostumou), primeiro falo do propósito ou da inspiração por trás dele e depois vem o post propriamente dito. Recentemente terminei de configurar o meu dual boot Windows + Linux. Agora falta configurar cada um dos sistemas individualmente.

Um dos programas que recomendo para fazer isso é o Revo Uninstaller. Ele é ótimo para remover os crapwares e bloatwares que já vêm pré-instalados no seu Windows OEM, mesmo que você nunca tenha solicitado eles. (PS.: eu uso o termo OEM como sinônimo de ‘como vem de fábrica’. Acho que isso não está 100% correto, apesar de a ideia ser por aí; esse termo serve para os meus propósitos)

[Particularmente tenho que dizer que a Lenovo não tem tanto crapware assim. Já tive um notebook da Samsung, esse sim era cheio de firulas. E já vi uns Acer com várias porcarias também. A Lenovo tem razoavelmente menos bloatware. Mas ainda tem alguns…]

Em particular, uma das melhores características dele é que ele também procura as chaves de registro e, eventualmente, arquivos temporários e arquivos que não são deletados pelo desinstalador padrão dos programas que você quer remover do seu computador.

Ele é um freeware (sempre foi, desde a época que eu costumava usá-lo quando utilizava exclusivamente o Windows, em meados de 2009). Possui uma versão Pro. Sinceramente, eu não recomendo que o leitor procure a versão pro dele para baixar por aí. Quando um programa bom é disponibilizado de modo free (e a maior parte de suas funções úteis está disponível na versão free), chega a ser repulsivo crackeá-lo (filosofia e ética: cada um tem a sua. Off-topic de [set|out]/2013: bater nos professores do RJ é legal? Aparentemente um pequeno grupo que se intitula defensor do estado acha que sim. Entenda a palavra legal com todos os significados que surgirem em sua mente)

Fica a dica. Screenshot:

Revo Uninstaller. Fonte: Softonic

Removendo {crap,bloat}ware de um Windows OEM